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8 de Dezembro: Dia da IMACULADA CONCEIÇÃO

Escrito por  Ronildo dos Anjos  |  Terça, 08 Dezembro 2015 00:00

“Na plenitude dos tempos”, diz o Apóstolo, “Deus enviou Seu Filho ao mundo nascido de uma mulher” (Gl 4,4). No ponto central da história da salvação se dá um acontecimento ímpar em que entra em cena a figura de uma Mulher. O mesmo Apóstolo nos lembra: “Não foi Adão o seduzido, mas a mulher” (1Tm 2,14); portanto, devia ser também por meio da mulher que a salvação chegasse à terra”.

 

A Igreja, ”Coluna e sustentáculo da verdade” (I Timótio 3,15) que, instruída pelo Espírito Santo, sempre considerou como divinamente revelada e como contida no depósito da celeste revelação esta doutrina acerca da inocência original Virgem Maria, doutrina que está tão perfeitamente em harmonia com a sua maravilhosa santidade, e com a sua eminente dignidade de Mãe de Deus; e, como tal, nunca cessou de explica-la, ensina-la e favorece-la cada dia mais, de muitos modos e com atos solenes.

 

O dogma da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria foi a solene confirmação do mistério central da fé. A Virgem Maria foi pensada por Deus como a mediadora do mistério da Encarnação. Porque chamada a ser a mediadora deste mistério, a Virgem Maria não podia ser pensada senão como a primeira totalmente redimida, e como a primeira redimida é que ela concebeu sem pecado o Filho de Deus, porque sem pecado foi concebida. Ao acolher a Palavra do Anjo, a Virgem Maria permitiu que a Palavra eterna de Deus assumisse a carne do pecado e por causa desta assunção ela foi previamente redimida pelo seu próprio Filho. Por ela o Verbo de Deus entra na história, inaugurando o tempo da Graça e da Liberdade dos filhos de Deus. A Virgem Maria abriu a porta do mundo para o Advento do Deus redentor, na carne da humanidade. Ela é por excelência a primeira na ordem da Redenção. A 'Imaculada Conceição' mostra a Virgem Maria como a primeira na ordem da Redenção. Redenção esta que não pode acontecer sem ela. Sem a Imaculada Conceição da Virgem Maria não seria pensável a redenção, como vitória divinizante da natureza humana sobre o pecado do mundo. 

 A Virgem Maria é a primeira redimida: depois dela e por meio dela, todos são chamados a participar na vitória da redenção, através do batismo, pelo qual o homem é regenerado, e chamado também a ser santo e imaculado na presença de Deus. A Imaculada Conceição eleva a Virgem Maria ao paradigma da antropologia cristã. Ela manifesta de um modo eminente a transfiguração do homem que se opera pela participação no mistério de Cristo, com o qual, por graça, o homem é chamado a configurar-se.

DÓGMA DE FÉ

Em 1854 o Papa Pio IX proclamou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Então, quatro anos depois, a própria Virgem Maria, em pessoa, quis confirmar este dogma. Foi quando em 25 de março de 1858, na festa da Anunciação, Maria apareceu a uma simples garotinha chamada Bernadette, em Lourdes na França. Sem acreditar na menina, o Padre Peyramale, pediu a Bernadette que perguntasse o nome da Senhora quando ela lhe aparecesse novamente. E assim Bernadette o fez, e a linda Senhora respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Como a criança não sabia nem o significado desta frase, o Padre na hora percebeu que era Nossa Senhora quem lhe falara, fato comprovado com Milagres e comprovação Eclesiástica.

A DEVOÇÃO A MARIA SEMPRE EXISTIU NO CRISTIANISMO

Sabemos que a Revelação divina é progressiva, e através do Espirito Santo que acompanha a Igreja dia e noite, os grandes Santos da Igreja, ajudaram e continuam ajudando a entender o Mistério da Encarnação.

 Santo Agostinho de Hipona, (430 d.C),  Bispo e doutor da Igreja já no século V deixou-nos escrito:

”Nem se deve tocar na palavra “pecado” em se tratando de Maria; e isso por respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça” (GM, p. 215).


Santo Cirilo de Alexandria (370-444), bispo e doutor da Igreja: “”Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?” (GM, p. 216).

Podendo o Espírito Santo criar Sua Esposa toda bela e pura, é claro que assim o fez. É dela que fala: “És toda formosa minha amiga, em ti não há mancha original” (Ct 4,7). Chama ainda Sua Esposa de “jardim fechado e fonte selada” (Ct 4,12), onde jamais os inimigos entraram para ofendê-la.

Santo Ambrósio – Doutor da Igreja 340-397)

Vinde, pois, e descubri vossas ovelhas, não através de vossos servos ou empregados, mas fazei por vós mesmos. Erguei-me corporalmente e na carne, a qual decaiu por Adão. Erguei-me não por Sara, mas por Maria, a Virgem não apenas incorrupta como a Virgem a quem a graça tornou intacta, livre de qualquer mancha do pecado" (Comentário ao Salmo 118,22-30).

S. Ireneu, "Contra as Heresias", 180-199 dC).

"A Virgem Maria mostrou-se obediente ao dizer: "Eis aqui tua serva, Senhor; faça-se em mim conforme a tua palavra". Entretanto, Eva foi desobediente; mesmo enquanto era virgem, ela não obedeceu. Como ela - que ainda era virgem embora tivesse Adão por marido... - foi desobediente, tornou-se a causa da sua própria morte e também de todo gênero humano; então, também Maria, noiva de um homem, mas, apesar disso, ainda virgem, sendo obediente, se tornou a causa de salvação dela própria e de todo o gênero humano... Assim, o problema da desobediência de Eva foi eliminado pela obediência de Maria. O que a virgem Eva causou em sua incredulidade, a Virgem Maria eliminou através da sua fé"

 

Santo Atanásio, "A Encarnação do Verbo de Deus 8", 365 dC).

 

"O Verbo gerado do Pai do céu, inexpressavelmente, inexplicavelmente, incompreensivelmente e maneira de eterna, nasceu há tempos atrás da Virgem Maria, a Mãe de Deus"

São Gregório de Nanzianzo, "Carta ao Sacerdote Cledônio", 382 dC).

 

"Se alguém disser que a Santa Maria não é a Mãe de Deus, ele está em divergência com Deus. Se alguém declarar que Cristo passou pela Virgem como se passasse por um canal, e que não se desenvolveu divina e humanamente nela - divina porque não houve a participação de um homem, e humanamente segundo a lei da gestação - tal pessoa é também herege"

 

Dídimo o Cego, "A Trindade 3,4", 386 dC).

 

"Nos ajuda a compreender os termos "primogênito" e "unigênito" quando o Evangelista diz que Maria permaneceu Virgem "até que deu à luz ao seu filho primogênito" [Mt 1,25]. Nada fez Maria, que é honrada e louvada acima de todas as outras: não se relacionou com ninguém, nem jamais foi Mãe de qualquer outro filho; mas, mesmo após o nascimento do seu filho [único], ela permaneceu sempre e para sempre uma virgem imaculada"

 

Teodoro de Mopsuéstia, "A Encarnação 15", 405 dC.

 

"Entretanto, quando eles perguntaram: 'Maria é a mãe de um homem ou a Mãe de Deus?', nós redundemos: 'De ambos'. O primeiro pela natureza do que ocorreu e o segundo pela relação. Mãe de um homem porque era ser humano que estava e que saiu do ventre de Maria; e Mãe de Deus porque o homem que nasceu era o próprio Deus"

 

S. Cirilo de Alexandria, "Contra aqueles que não desejam professar que a Santa Virgem é a Mãe de Deus 4", 430 dC.

 

"O próprio Verbo, vindo por sua vontade à Bem-Aventurada Virgem, assumiu para si o seu próprio templo da substância da Virgem e saindo dela, fez-se completamente homem de modo que todos pudessem vê-lo externamente, mas sendo verdadeiramente Deus internamente. Portanto, Ele preservou sua Mãe virgem mesmo depois dela ter dado à luz"

 

Também os "reformadores" [protestantes] foram fiéis defensores de Maria:

"Creio firmemente que Maria, conforme as palavras do Evangelho que afirmam que de uma Virgem nos nasceria o Filho de Deus, permaneceu sempre pura e intacta Virgem durante e depois do nascimento de seu Filho" (Ulrich Zwinglio, citado em "Corpus Reformatorum" v.1, p.424).

 

Martinho Lutero, "Sermões sobre João", cap. 1 a 4, 1537-39 dC

"Ele, Cristo, nosso Salvador, era o fruto real e natural do ventre virginal de Maria... Isto aconteceu sem a participação de qualquer homem e ela permaneceu virgem mesmo depois disso"

"[Maria é a] maior e a mais nobre jóia da Cristandade logo após Cristo... Ela é nobre, sábia e santamente personificada. Jamais conseguiremos honrá-la suficientemente" (Martinho Lutero, "Sermão do Natal de 1531").

 

"É uma doce e piedosa crença esta que diz que a alma de Maria não possuía pecado original; esta de que, quando ela recebeu sua alma, ela também foi purificada do pecado original e adornada com os dons de Deus, recebendo de Deus uma alma pura. Assim, desde o primeiro momento de sua vida, ela estava livre de todo pecado" (Martinho Lutero, "Sermão sobre o Dia da Conceição da Mãe de Deus de 1527").

 

João Calvino, "Sermão sobre Mateus", publicado em 1562.

"Certas pessoas têm desejado sugerir desta passagem [Mt 1,25] que a Virgem Maria teve outros filhos além do Filho de Deus, e que José teve relacionamento íntimo com ela depois. Mas que estupidez! O escritor do evangelho não desejava registrar o que poderia acontecer mais tarde; ele simplesmente queria deixar bem clara a obediência de José e também desejava mostrar que José tinha sido bom e verdadeiramente acreditava que Deus enviara seu anjo a Maria. Portanto, ele jamais teve relações com Maria, mas somente compartilhou de sua companhia... Além disso, nosso Senhor Jesus Cristo é chamado o primogênito. Isto não é porque teria que haver um segundo ou terceiro [filho], mas porque o escritor do Evangelho está se referindo à precedência. Assim, a Escritura está falando sobre a titularidade do primogênito e não sobre a questão de ter havido qualquer segundo [filho]"

 

"Não se pode negar que Deus escolheu e destinou Maria para ser a Mãe de Seu Filho, garantindo-lhe a mais alta honra. Isabel chama Maria de "Mãe do Senhor" porque a unidade da pessoa nas duas naturezas de Cristo era tal que ela poderia ter dito que o homem mortal gerado no ventre de Maria era, ao mesmo tempo, o Deus eterno" (João Calvino, citado em "Corpus Reformatorum" v.45, p.348).

 

'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! Donde me vem a honra que a mãe do meu Senhor me visite?'(Lc 1, 42...)

A redenção vem da cruz de Cristo, inclusive para Maria. Ela não nasceu sem pecado por seu próprio mérito, mas por um ato de misericórdia da parte de Deus. Se acreditamos que Jesus nos salva do pecado e da morte mesmo depois de termos cometido pecados pessoais, porque deveríamos negar a idéia de que Ele salvou a mulher que escolheu para ser a Sua Mãe do pecado e da morte antes mesmo do seu nascimento? A imaculada conceição de Maria produziu-se pela graça da Cruz e não por qualquer coisa que ela tenha feito ou por poder próprio dela. Maria de maneira nenhuma é uma Salvadora. Porém, ela é a Mãe do Salvador e, como tal, precisava ser tão pura quanto possível.

A única questão que fica remanescente é: "qual a probabilidade de Deus ter desejado para a mulher que escolheu para trazer Jesus Cristo ao mundo ter sido tão pura e merecedora de uma graça que nenhum outro ser humano poderia ter?". Talvez soe melhor fazendo uma declaração negativa: "qual a probabilidade de Deus ter permitido que Jesus Cristo viesse à carne, sendo nutrido por nove meses num ventre ou tendo nascido ou sido amamentado e educado por uma mulher corrompida pelo pecado original?".

 

Fontes:

1 - universocatolico.com.br/index.php?/o-dogma-da-imaculada-conceicao.html

2 - formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/dogma-da-imaculada-conceicao

3 - montfort.org.br/old/index.

 

4 - veritatis.com.br/apologetica/maria-santissima/533-uma-defesa-biblica-de-maria